quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Universidade, DCE e eleições.

A universidade pública foi, e é diariamente, uma das maiores conquistas que poderíamos ambicionar no âmbito educacional. Ela é essencial para que se possibilite o acesso à universidade de um número cada vez maior de pessoas. O problema colocado hoje em dia para nós é que a universidade, além de ser pública, necessita de muitas outras atenções políticas que a tornem mais acessível. Questões como bolsas, investimentos estruturais, construção de moradias e etc., são questões que se tornam fundamentais para que os estudantes possam realmente se manter na universidade e estudar da melhor maneira possível.

O problema que se coloca para o movimento estudantil da UEM como um todo é que quando se criam pequenos grupos políticos que procuram agir somente por si próprios, através de uma política elitista, os estudantes em si ficam perdidos e presos na sua própria desorientação. Assim esses grupos usam os estudantes (os quais eles insistem em chamar de “base”), somente para legitimar a sua própria política interesseira, sem nenhuma preocupação com a real situação dos estudantes. A concordância quanto aos problemas que precisam ser solucionados não tira desse movimento de pequenos grupos políticos o caráter elitista que eles abominam nas palavras, mas que tanto louvam na prática.

Acreditamos que o movimento estudantil deve ser feito também de representações nos conselhos da universidade, e de diálogos com a administração. Mas, mais do que isso, acreditamos que o movimento dentro da universidade deve se pautar na horizontalização de todas as bandeiras e de todas as ações. Com isso queremos ressaltar a importância que a força de um movimento pode ter nas negociações burocráticas que ocorrem na UEM, na medida em que pressionam a administração com a legitimidade que só uma grande manifestação popular consegue ter. Essa força que nós aqui reivindicamos tem de ser fruto de uma ampla política de discussão com os estudantes, indo nas salas, fazendo pesquisas, fazendo reuniões de discussão bem divulgadas e essencialmente dialogando com os estudantes.

As últimas três gestões do DCE (Expressão, Caminhando e Bonde do Amor) em nada se diferenciaram quando assumiram o DCE com ares de vanguarda, sem nenhuma tentativa de dialogo com os estudantes. Cada uma fez a política que condizia com a política da organização ou partido ao qual estavam ligados. Defendiam seus próprios interesses com a máquina do DCE, e quando perdiam a eleição que se sucedia, abandonavam o movimento por mais um ano. Nós defendemos que esse aparato importante para a representação estudantil da UEM que é o DCE, deve ser um aparato mais democratizado, que engesse esses grupos políticos que pretendem agir somente em seus próprios interesses. Defendemos também, conseqüentemente, uma intensificação na participação de uma grande maioria dos estudantes no processo político que, ao contrário do que muitos pensam, não se resume á eleição.

Somente desse modo se formaria um movimento estudantil forte, plural e horizontal, que não se prendesse a determinadas organizações, mas que se revelasse cada vez mais abrangente, formando e informando os estudantes, na luta pelas melhores condições da vida universitária.

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