sábado, 21 de novembro de 2009

Os riscos da partidarização do movimento estudantil

Partidos políticos são instrumentos criados para organizar simpatizantes e a partir dele ascender ao poder, e uma vez com o poder fazer de tudo para mantê-lo. Essa é uma definição bem básica sobre partidos políticos, e no entanto diz muito sobre a natureza deles.

Eles são instrumentos criados para conquistar e manter o poder, e não digo o poder local, um partido sempre pensa em âmbito nacional. Para manter-se no poder caso já esteja é essencial manter bases fortes e coesas, as bases estão na sua maior parte (quando falamos da esquerda) nos movimentos sociais, e como o partido precisa seguir a linha mestra, ele não deixará que o movimento pense diferente das diretrizes nacionais.

Para os movimentos sociais, receber apoio de partido político acaba sendo o equivalente a vender a alma ao diabo, ele recebe apoio imediato, o partido diz que lutará pelos direitos do movimento agora, dá verba, mas na hora que o partido de fato precisar, o movimento terá que marchar até contra aquilo que ele defende, sobre o risco de perder verba e poder.

Isso ocorre não só com movimentos de bairros, mas também com o movimento estudantil, caso Lula precise do apoio do PMDB, e o PMDB diz que só dará apoio se ele privatizar as universidades públicas, logo aparecerá a UNE (PT e PC do B), em passeata dizendo que precisamos do ensino privado para que “finalmente todos os brasileiros tenham acesso ao ensino superior”.

Enquanto os movimentos vivem essa simbiose com partidos políticos, eles acabam perdendo muitos direitos, um exemplo disso ocorreu ano passado, o senador Eduardo Azeredo (PSDB-MG), defendendo as companhias que vendem ingressos para shows, peças de teatro, cinema, e eventos esportivos, conseguiu aprovar uma medida que estabelecia uma quota de no máximo 50% dos ingressos destinados à meia entrada.

O argumento dele é de que o ingresso ficaria mais barato, pois as empresas não sofreriam as perdas que sofrem com todos podendo comprar meia entrada. O grosso de quem compra meia entrada é de estudantes, que passariam a consumir menos cultura (menos do que já se consome hoje), por que não poderiam mais comprar os caros ingressos existentes no país.

Quem deveria defender os estudantes, a UNE reclamou um pouco, mas ficou feliz, pois a lei criada pelo senador estabelecia que as meias entradas só poderiam ser adquiridas, mediante carteirinha estudantil, expedida pelo movimento que os representa (UNE).

Para sairmos da esfera federal, e ficarmos na municipal, fato semelhante ocorreu com a famigerada lei seca, que proíbe a venda e o consumo de bebidas alcoólicas nas imediações da UEM durante o vestibular, e que agora foi expandida para o ano inteiro em até 150 metros da UEM.

A primeira lei, foi aprovada quase que por unanimidade pelos vereadores à toque de caixa, ou seja o vestibular ocorreria em 48 horas, e a lei já foi posta em prática, quem deveria organizar um protesto, o DCE da época (gestão Caminhando), estava preocupado em ir para o congresso organizado pela Conlutas em Minas Gerais, e viu e não fez nada, afinal era mais importante construir uma central de movimentos sociais ligadas ao PSTU, do que pensar nos estudantes que ficaram aqui, e acabaram apanhando da policia, ao defender seu direito de fazer festa.

Quanto a vender bebida nas proximidades da Universidade, a outra gestão do DCE (Bonde do Amor), fez pouco em relação para tentar derrubar a lei, e a exemplo de quem eles representam (UNE e UJS) ficou feliz com a lei, já que os estudantes irão depender mais das festas promovidas por eles caso queiram se divertir um pouco e comprar meias entradas com as carteirinhas da UNE.

É preciso dar um basta na partidarização dentro da UEM, sobre o risco de acabarmos defendendo sua privatização, caso seja vontade de algum partido em Brasília. Sei que não é papel do DCE organizar os estudantes, mas é mais fácil para a organização mobiliza-los para as lutas, e isso não tem sido feito, ou quando é feito para que não haja participação estudantil.

Por isso é importante que os estudantes passem a perceber o quão importante é sua participação na luta por uma universidade melhor, e não ficar achando que seu poder acaba quando elege um representante.

João Vicente Nascimento Lins 21/11/2009

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